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Ainda hoje, há dificuldades na compreensão do ser humano como um todo integral. Em circunstâncias comuns, dificilmente prestamos atenção às nossas sensações corporais como uma unidade corpo e mente, contudo, muitas vezes, a percepção dos nossos estados corporais só ocorre nas situações em que uma dor extrema ou um intenso prazer nos estimula.
Pensando nisso, torna-se interessante observarmos certos padrões de tensão ou de traumas da vida que emergem organicamente. Perceber de que forma nossos recursos internos nos ajudam a lidar com acontecimentos diversos, como o desapontamento, a frustração e o enfrentamento. Enfim, dar-nos conta de que as ações do corpo-mente estão intimamente ligadas à nossa qualidade de vida.
Por isso, no cotidiano ou nas condutas sociais, seria importante encontrar uma linguagem que permita transmitir o modo, a profundidade e a intensidade com que certas reações corporais são vividas. Ou seja, compreender que o corpo também pode ser um meio eficiente de comunicação para interpretar nosso conteúdo, despertar nossos sentidos, aguçar nossas percepções, nossas estruturas psicológicas, sociológicas e históricas.
Em vista disso, a proposta deste artigo é convidar-nos a uma postura reflexiva sobre os significados dos caminhos para o condicionamento do corpo, sinalizando o Método Pilates como um processo dialógico com a Abordagem Psicossomática.
Para atingir esse objeto, as considerações deste estudo se deram mediante referências de livros, artigos de periódicos e também, pesquisa na base de dados LILACS, MEDLINE e SCIELO.
Pilates é um método de condicionamento físico, que integra o corpo e a mente, amplia a capacidade dos movimentos, aumenta o controle, a força, o equilíbrio muscular e a consciência corporal. Solicita o corpo na sua totalidade. Corrige a postura, realinha a musculatura e desenvolve a estabilidade corporal para uma vida mais saudável e longa (CAMARÃO, 2004; KOLYNIAK, CAVALCANTI e AOKI, 2004).
Panelli e Marco citam que os exercícios de Pilates foram desenvolvidos para serem executados e dominados a ponto de se tornarem uma reação do subconsciente, buscando desenvolver o corpo da melhor forma possível, acompanhado de um vigor físico e mental renovado (2006).
O criador desse método, Joseph Humbertus Pilates, nasceu na Alemanha em 1880 e viveu uma infância fragilizada por algumas doenças como asma, raquitismo, bronquite e febre reumática. Por isso, se dedicou à melhora da condição física praticando ginástica, mergulho, esqui e boxe. Pilates era um autodidata, conhecedor de fisiologia, anatomia e da medicina tradicional chinesa, além disso, teve influência de diversos saberes, desde os princípios de yoga e artes marciais até ao estudo do movimento dos animais (ROBINSON e NAPPER, 2002; BOLSANELLO, 2008).
Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, Pilates vivia na Inglaterra e ganhava a vida como lutador de boxe, foi então considerado inimigo estrangeiro e preso em um campo de concentração. Lá, ele atuou como enfermeiro, auxiliou na recuperação dos feridos e também treinou outros internos com os exercícios que criou. Pilates “utilizava as molas das camas hospitalares para iniciar a tonificação dos músculos dos pacientes, mesmo antes de poderem se levantar, criando então, os aparelhos que são utilizados até hoje” (PANELLI e MARCO, 2006, p.22).
A técnica desenvolvida por Pilates, só foi reconhecida em 1918, data em que ocorreu uma epidemia do vírus Influenza e que assolou a Europa, morrendo muitos ingleses, porém, nenhum dos internos treinados por Joseph foi infectado.
Foi em 1926 que Joseph Pilates mudou-se para Nova York onde fundou seu primeiro estúdio e denominou seu método de Contrologia. Imediatamente, atraiu a atenção do público da dança, posto que, os bailarinos desejavam melhorar o desempenho, se recuperar de lesões nas articulações, bem como preveni-las (URLA, 2005).
Em 1967, aos 87 anos, Joseph Humbertus Pilates morreu, mas deixou-nos o seu legado, conforme cita Camarão: “A teoria e a prática do Método Pilates ficou bem explicada [...] em seu livro Return to life Through Contrology, no qual definia a sua técnica como a completa integração entre corpo, mente e espírito” (2004, p.2). Pilates não teve o reconhecimento científico que esperava, pois “estava a pelo menos cinqüenta anos à frente de sua época” (PANELLI e MARCO 2006, p.24).
Segundo Panelli e Marco (2006), Pilates afirma que nem a mente, nem o corpo podem ser considerados com supremacia, ou seja, um não deve ser sacrificado à existência do outro, sendo imprescindível estabelecer um equilíbrio, em busca da melhor coordenação possível, visando sempre o bem-estar geral.
Nesse sentido, Pilates (2000) apud Kolyniak, Cavalcanti e Aoki (2004), define Contrologia como “o controleconsciente de todos os movimentos musculares do corpo”. E, baseado nessa consciência corporal, Joseph Pilates estabeleceu a centralização, a concentração, o controle, a precisão, a respiração e a fluidez, como os Princípios Básicos de Controle do Corpo.
Enviado pela leitora Luciani Lima a Revista Pilates